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A NOVA FRONTEIRA DA MENTE

  A sabedoria popular alimenta   uma antiga suspeita que começa a despertar o interesse da ciência moderna:  a idéia de que o pensamento cria e transforma a realidade concreta.
  Muita gente aceita a ideia de que manter uma atitude mental otimista e alegre - o “alto astral” - contribui para gerar situações positivas nas vidas das pessoas.  Aceita-se, também, que uma atitude pessimista - o “baixo astral” - igualmente atrai ocorrências ruins. Em situações de doenças, o paciente que não se abate, levando a vida o mais normalmente possível, como se nada estivesse acontecendo, em geral recupera-se mais rapidamente do que o indivíduo que se rende ao sofrimento. 
   No esporte, a vontade inabalável da vitória remove montanhas. Gostemos ou não, durante o campeonato mundial de futebol de l994, o técnico Parreira demonstrou uma inquebrantável serenidade contra a pressão contínua de milhões de torcedores, da mídia, do Pelé e até da mãe dele... Zagalo dizia desde o começo que o time - cá para nós, mesmo estando longe do brilhantismo de outras eras -  iria “chegar lá”. Romário afirmava a todo o instante que aquela seria a Copa do Brasil e a Copa do Romário.  Quem viu o documentário oficial da Fifa nos cinemas, vai se lembrar da cena super significativa momentos antes da entrada em campo de Brasil e Itália, no jogo final:  Romário com a expressão auto-confiante, determinado, enquanto Baggio, na fila ao lado, olha-o com uma face de quem tem missão impossível pela frente, quase que derrotado previamente, aceitando uma realidade que ainda não se concretizara.  Na hora dos pênaltis, Romário acertou o dele.  Baggio, não, selando o destino da Copa.
   No âmbito científico, situações como essas - que levantam suspeitas da interferência da mente sobre a matéria e também de realidades sutis como os campos eletromagnéticos sobre a matéria - motivam agora pesquisas de ponta de universidades de prestígio mundial, como Harvard, Princeton e Stanford. Embora o tema seja complexo e delicado, os resultados já apontam para um surpreendente caminho que amplia consideravelmente o conhecimento do ser humano sobre si próprio e sobre a realidade que o envolve.
   A famosa Princeton, por exemplo, desde l979 conduz um rigoroso programa de pesquisas sobre a interação entre a consciência humana, de um lado, instrumentos e equipamentos de precisão, de outro.  Milhares de experimentos já foram feitos em que operadores humanos, através unicamente da vontade mental, alteram o funcionamento de máquinas e equipamentos eletrônicos, óticos e acústicos.  Os efeitos provocados, embora modestos em quantidade, apenas uns poucos para cada 10.000 experimentos, são estatisticamente repetíveis. Ao mesmo tempo, Princeton estuda fenômenos em que pessoas captam mentalmente e descrevem paisagens que estão sendo vistas por outras pessoas, situadas geograficamente distantes e em locais selecionados ao acaso, desconhecidos das primeiras.
   As implicações e aplicações dessas pesquisas têm um alcance revolucionário. Os cientistas de Princeton sugerem que a consciência, o conjunto de pensamentos, sentimentos, vontades e sensações que formam o processo pelo qual o homem percebe a si próprio e ao mundo, é um agente ativo na constituição da realidade física. Como a consciência é um atributo da mente, através da vontade consciente o homem poderá aprender, com a evolução dessas pesquisas, intervir em situações tecnológicas que hoje parecem ficção científica.  Os pesquisadores de Princeton antecipam o futuro em que o homem também usará a mente além do seu corpo físico, para comandar aviões, equipamentos de salas cirúrgicas, máquinas de controle ambiental e de salvamento em acidentes.
   Resultados estimulantes também têm sido apontados pelo Centro de Ciências Limítrofes, uma unidade transdisciplinar da Universidade Temple, na cidade de Filadélfia, nos Estados Unidos. O Centro, criado em l987, dedica-se a estudar áreas da ciência que desafiam os parâmetros corriqueiros da pesquisa tradicional, porque requerem novos instrumentos e modos de abordagem da realidade.  Em especial, realiza estudos da consciência, visando ampliar o conhecimento da mente e pesquisando a relação mente-matéria em áreas como a medicina, novas tecnologias de produção de energia e o bioeletromagnetismo.
   Esse último termo aplica-se a uma ciência nova, que estuda os campos eletromagnéticos artificiais e naturais e suas relações tanto com a vida quanto com a saúde. Investiga, por exemplo, os efeitos danosos que podem causar ao sistema imunológico humano os campos eletromagnéticos formados pelas redes de transmissão de eletricidade, da faixa entre 50 e 60 Hertz situadas muito próximas a residências.  Pesquisas epidemiológicas relatadas pelo Centro indicam que, nos Estados Unidos, pode haver uma relação importante entre essa proximidade e a incidência de leucemia em  crianças. Suspeita-se, também, que as ondas emitidas por estações de radar provocam efeitos biológicos ainda não totalmente compreendidos, assim como a exposição freqüente e intensa a entroncamentos de linhas telefônicas pode afetar os operários.
   Um dos experimentos mais significativos que o Centro endossa, pesquisando a interferência da mente sobre a matéria, foi realizado pelo psicólogo Jacobo Grinberg-Zylberbaum, da Universidade Autônoma do México. Grinberg-Zylberbaum conduziu uma série de pesquisas em psicofisiologia, baseadas no conceito de ordem implícita, estabelecido pelo físico teórico David Bohm, falecido em 1992.    
   Bohm criou a teoria holográfica da ordem implícita e explícita do universo. Um holograma é uma estrutura tridimensional que pode ser vista de vários ângulos.  Ao mesmo tempo, qualquer parte de uma estrutura holográfica contém o seu todo, isto é: os elementos essenciais que constituem a totalidade da qual faz parte. Por exemplo, em biotecnologia reproduz-se em laboratório uma palmeira completa, a partir de uma folha de outra palmeira que lhe serviu de clone.  Quer dizer, a folha contém, potencialmente, os elementos essenciais que constituem a palmeira como um todo.  
   O universo é entendido por Bohm como uma totalidade indivisível, um campo unificado, apoiando-se na Teoria da Relatividade de Einstein. Assim, uma ordem total, a condição em que todos os elementos que constituem o universo se organizam está contida, como matriz informativa implícita, na própria ordem explícita, que é o que observamos concretamente da realidade.   Deste modo, teoricamente, a mente de uma pessoa seria capaz, em condições apropriadas, de acessar a ordem implícita e portanto comunicar-se diretamente com a mente de outra pessoa em local distante. Poderia comunicar-se com todo o universo.
   O psicólogo Grinberg-Zylberbaum decidiu pesquisar se existe uma relação observável entre essa ordem implícita e o funcionamento biológico do cérebro que é o instrumento de expressão utilizado pela mente durante o ato de percepção da realidade.  Constatou que processos altamente abstratos do pensamento não são um subproduto da atividade cerebral, mas sim uma condição fundamental que não se reduz à matéria.  Os resultados também mostraram que há interações eletroencefálicas entre cérebros de pessoas distanciadas entre si.
   Como parte das pesquisas, uma dupla de voluntários era submetida a um processo de interação até alcançar um bom grau de comunicação não verbal.  Em seguida, cada parceiro era separado um do outro e os dois eram confinados em câmeras fechadas, a prova de som, distantes de três a 15 metros uma da outra.  Um dos dois voluntários recebia vários estímulos sons, flashes de luz, choques elétricos, o outro, não.  Os registros eletroencefalográficos do voluntário que não recebia os estímulos eram bastante similares, em 25% dos casos, aos do outro voluntário.  Mais de 50 experimentos foram realizados em sete anos. Embora o resultado seja modesto, estatisticamente, o pesquisador considera-o relevante, porque quando os voluntários registram “transferência de potencial”, termo que constata padrões próximos de ondas cerebrais dos voluntários, significando que o cérebro de um “percebeu” sinais dos estímulos que o outro estava efetivamente recebendo, tal condição repetia-se em experimentos subsequentes.  E, no dia que o par de voluntários era constituído por um casal jovem apaixonado, as similaridades morfológicas das ondas cerebrais de ambos, registradas no eletroencefalograma, foram consideradas extraordinárias.
  O pesquisador concluiu que a percepção da realidade é o resultado da interação entre o campo neural, formado pelos neurônios que são as células nervosas, e a matriz de informação contida na Ordem Implícita. Essa matriz, a seu turno, conteria informações sobre todos os campos neurais existentes. Assim, o cérebro interage com essa matriz, decodifica seus sinais e acaba por vê-los “transformados” em objetos, espaços, formas e outros elementos que constituem a realidade perceptual.  Em outras palavras, a Ordem Explícita.  Também sugeriu que há interações diretas entre diferentes campos neurais, ou seja, entre diferentes cérebros.
Resultados como esse fazem, o Centro de Ciências Limítrofes da Universidade Temple sugerir, em seus documentos oficiais, que não há separação entre a mente e a matéria.  Também indicam que a mente interage com a matéria de um modo que transcende os limites da dimensão tempo-espacial convencional.  Quem exulta com esses resultados é o ex-astronauta Edgar Mitchell, doutor em astronáutica pelo prestigioso M.I.T. - Massachusetts Institute of Technology, sexto homem a pisar na lua e ele próprio um dos pioneiros do estudo avançado da consciência. "Já vínhamos estudando fenômenos anômalos dessa natureza há anos, mas não tínhamos um suporte teórico que nos ajudasse a explicá-los", comenta.  “Esse suporte surgiu com a questão da não-localidade na física quântica, que nos dá hipóteses testáveis.” Mitchell também faz menção à Ordem Implícita, entendendo-a como a estrutura subjacente à matéria, cujo conceito facilita elaborar equações quanto-mecânicas capazes de explicar, a seu ver, como a mente funciona na interação com esse lado sutil do universo e na interação com a matéria.
    A não localidade é um conceito estabelecido pela física quântica que constata a existência de conexão instantânea entre objetos aparentemente separados um do outro. Einstein foi o primeiro a tocar no assunto, porém, antes dos físicos quânticos. Identificou-o.  Mas não conseguiu explicar o fenômeno da correlação entre objetos distanciados entre si, achando-o “esquisito”, porque sua Teoria da Relatividade diz que nada (nenhum sinal, por exemplo) pode viajar mais rápido que a luz. 
   De qualquer modo, o fenômeno é constatável.  Se um par de fótons - um fóton é uma unidade minúscula da energia eletromagnética é colocado junto e depois separado no laboratório, quando a polaridade de um é medida, o outro apresenta exatamente a polaridade oposta. Por analogia, a física norte-americana Danah Zohar diz que se tivesse uma irmã “quanticamente gêmea” dela, vivendo em Nova Iorque e ela em Oxford, na Inglaterra, e que não se vissem ou falassem há muitos anos, no momento em que decidisse fazer um curso de dança, a irmã poderia ter a mesma idéia, do outro lado do Atlântico.  No instante em que, na aula, levantasse o braço esquerdo, sua irmã estaria levantando o direito.
   A idéia é que a realidade tal como encarada pela física quântica é um todo integrado, uma teia de correlações no tempo e no espaço. Tal concepção bate de encontro com a velha idéia de que tudo que existe no mundo é divisível e separado. A mente é uma coisa e o corpo é outra, diz essa abordagem.
    Mas gente como Edgar Mitchell, por reflexão científica e por experiência pessoal, tem constatado que essa afirmação pode não ser mais adequada para expressar a realidade.  Na sua viagem à lua em l971, como tripulante da Apollo 14, Mitchell vivenciou um profundo sentimento de que o universo todo é inteligente é uma consciência viva, integrada.  Treinado porém no rigor da ciência, aliou esse lado subjetivo a um experimento pessoal da qual nem a NASA tinha conhecimento. Da lua, fez uma experiência de telepatia, transmitindo à Terra, para cientistas amigos seus, previamente convidados, mensagens mentais simples, contendo formas geométricas e números.  Ao regressar, constatou um número significativo de acerto, por parte dos colegas que tentaram captar sua emissão telepática.
   Entusiasmado, Mitchell deu-se a missão de criar um centro de pesquisas da mente, da consciência e do conhecimento.  Na época, as universidades tradicionais estavam pouco afeitas a pesquisas nessa direção.  Por isso, instituições independentes, como a sua, são as que deram partida a estudos dessa natureza.  O ex-astronauta fundou sua organização em l973, com o nome de Instituto de Ciências Noéticas. O termo “Ciências Noéticas”, tirado da palavra grega nous, que significa mente, inteligência e modos de saber, aplica-se ao estudo da mente e dos diversos modos de saber, numa abordagem interdisciplinar.  Aos poucos, Mitchell reuniu em torno de si personalidades importantes da ciência, como Willis Harman, professor emérito da Universidade de Stanford, que acabou assumindo a presidência do Instituto.  
   Mitchell, que esteve no Brasil para o evento “Imaginária 95”, que discutiu temas como o tratado por esta reportagem, explica o princípio básico que norteia o Instituto de Ciências Noéticas, e porque o considera indispensável para as pesquisas científicas hoje em dia.
A ciência concentrou-se tradicionalmente no objeto, mas ignorou totalmente o sujeito.  O único conhecimento que acontece, porém, é dentro do homem. Então a ciência tem de desenvolver urgentemente uma epistemologia que se volte para a compreensão da experiência subjetiva da realidade, que ocorre apenas no interior do indivíduo. A ciência apoiou-se apenas nos cinco sentidos externos, mas a não-localidade ajuda a entender o outro sentido importante, o interno.
O cientista e autor Peter Russell, doutor em psicologia pela Universidade de Bristol e também físico teórico, que esteve no Brasil junto com Mitchell para o "Imaginária 95”, reconhece porque a ciência só agora está se abrindo para os estudos da consciência.

 A ciência, nas últimas centenas de anos, pôs a consciência de lado por duas boas razões. Ela não pode ser medida, pesada ou observada como observamos os minerais.  E a ciência tentou ser objetiva, procurando chegar à verdade, independentemente do estado de consciência do observador.  Isto é, tentou deixar a mente fora do processo.  Mas agora temos a física quântica e também a neurofisiologia, que está mostrando como os neurotransmissores afetam nosso estado de consciência.

Fonte: de Edvaldo Pereira Lima gratidão pelas informações

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Mônica H Louvison

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Bióloga, Acupunturista e Massagista, há 14 anos e mestre em Reiki.